Pais e filhos: energia em movimento

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pais e filhosSe já pensou alguma vez em enviar os seus filhos para a Antárctida com um bilhete apenas de ida, então o mais provável é que não tenha realmente filhos. Na verdade os filhos encarnam o amor mais profundo, enchendo-nos de alegrias, ensinamentos e meias sujas, entre tantas mais coisas. Eles brindam-nos com uma relação maravilhosa que perdura toda a vida, coisa que pode não acontecer necessariamente com o matrimónio.

Mas voltemos à relação entre pais e filhos; esse fascinante, dinâmico, complexo e explosivo (e todos os eteceteras) universo de emoções. Nenhum pai pode dizer que chega a esta relação sem experiência porque todos já fomos filhos, mas os filhos carregam em cima a história da sua constelação familiar (ou se preferir ir mais além, das suas vidas passadas, assunto do qual não posso dar fé). A relação entre pais e filhos é o germinador de cada vida, literal e metaforicamente, com o bónus de nos oferecer sempre espaços para harmonizar a dança individual e em casal.

Para lidar com toda a relação, e especialmente a relação entre pais e filhos, há que saber lidar com as energias em jogo. Se enfrentarmos a força com mais força, isso vai criar um bloqueio. Mas se formos suficientemente flexíveis, então as energias irão fluir mais facilmente. Quantas vezes não somos mais rígidos do que pensamos com os nossos filhos? Mas neste caso a rigidez não ajuda.

Vamos a ver. Não se trata de ser permissivo, mas de ser conscientemente flexível e de saber canalizar as emoções (que são uma forma de energia) para ambos os lados da relação. Porque ser pai não significa impor o nosso ponto de vista mas estar aberto ao diálogo. Ou dito de outra forma, significa conhecer o mundo dos nossos filhos e sermos capazes de ligar com as suas necessidades, emoções e personalidades. Tudo isto sem esquecer que estamos metidos em algo parecido com uma equação: o que acontece num dos lados da equação, reflete-se no outro.

Se tem filhos provavelmente já estará a pensar: “pois, mas isso é mais fácil de dizer do que fazer”, e a verdade é que tem razão. Mas isso não é desculpa para evitar um caminho com mais amor para com eles e nós próprios. O melhor é ter um coração flexível e compassivo para com os nossos filhos, e consequentemente para com nós mesmos.

No ioga diz-se que toda a postura deve ter duas qualidades: sthira, que significa estabilidade e manter-nos alerta, e sukha, um termo muito amplo que neste caso refere-se à capacidade de nos sentirmos felizes e confortáveis na postura. Sthira e sukha devem estar em equilíbrio, pois de nada vale estarmos confortáveis na posição do cão se os ombros estiverem tensos que nem uma corda de violino. E por outro lado, se a única coisa que nos interessa é relaxar sobre a esteira sem nos importarmos com o alinhamento do corpo, estaremos a fazer um exercício pela metade, mas nunca a fazer uma prática correta.

Estabilidade e conforto. Manter-nos alertas e felizes. Duplas que se conjugam muito bem em qualquer relação humana.

Espero que esta fórmula funcione. Ninguém quer acabar por ficar no inverno da Antárctida sem um bilhete de regresso. Eu pelo menos, que não gosto assim muito do frio.

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