Filhos e Pais

Dispositivos eletrónicos e crianças: Nem tão bons, nem tão maus

Dispositivos eletrónicos
Quando falamos de crianças e da utilização de dispositivos eletrónicos, é importante estabelecer que o problema não é a utilização, mas sim o abuso. Tal como tudo na vida.
Um estudo realizado nos Estados Unidos concluiu que as crianças entre os 8 e os 10 anos de idade passam 8 horas por dia utilizando os diferentes meios de comunicação social que lhes são oferecidos (televisão, telemóvel, etc.) e aquelas com mais de 11 anos, mais de 11 horas por dia. Isto significa que a televisão e os jogos de vídeo são a principal atividade das crianças e adolescentes, ocupando mais tempo do que qualquer outra atividade, incluindo ir à escola ou dormir. Além disso, ter uma televisão no quarto de dormir aumenta o seu tempo de utilização e 71% das crianças e adolescentes inquiridos relataram tê-la. Além disso, 84% dos adolescentes têm acesso à Internet e um terço deles tem uma ligação no seu quarto.
Há mais. A última década também assistiu a uma mudança no tipo de meios utilizado. Embora a televisão seja ainda o meio em que consomem mais tempo (mais de quatro horas por dia), outras plataformas de visualização, para além do monitor convencional, são agora também utilizadas, tais como o smartphone, computador, tablet, etc. Isto contribui para uma mudança no padrão de visualização da televisão, passando de um padrão familiar e social em que os mais próximos se reúnem, para um novo padrão individual, em que todos assistem no seu computador, smartphone ou tablet, mas sozinhos. Em termos de utilização de computadores, os adolescentes passam 1 hora e meia por dia em frente aos computadores, mas mais de metade do tempo é gasto em redes sociais, a ver filmes ou a conversar. Em 2004, 47% dos jovens de 12-17 anos tinham um telemóvel, enquanto apenas um ano mais tarde, 75% tinham um.

O mau… e o bom

Esta utilização de dispositivos gera factores que são física e emocionalmente prejudiciais para as crianças. Estar em frente a um computador ou televisão é uma forma de passar o tempo de forma divertida, mas sem exercício físico, o que é necessário para um desenvolvimento saudável.
Atitudes agressivas e violentas são também produzidas devido ao facto de muitos programas de televisão ou jogos de vídeo terem conteúdos violentos que fazem as crianças imitá-los e aplicá-los à sua realidade.
Além disso, o uso excessivo da tecnologia influencia a falta de atenção e o desempenho cognitivo causado pelos efeitos secundários destes dispositivos. Por outro lado, as crianças que não têm acesso às tecnologias são excluídas dos ambientes sociais onde se desenvolvem.
Apesar dos factores negativos associados a esta tecnologia em idades precoces, alguns dispositivos impulsionam o desenvolvimento e a aprendizagem, uma vez que contêm aplicações destinadas ao ensino, tais como leitura, jogos, contagem, e desenvolvimento infantil. Desta forma, uma criança interage com um dispositivo eletrónico ao mesmo tempo que aprende e desenvolve uma capacidade natural de utilizar um dispositivo digital; ou seja, é apresentada como uma forma de ensino muito agradável que substitui o livro por algo mais divertido.
Durante os seus primeiros anos de vida, as crianças pequenas aprendem através da imitação. Os tablets têm a característica de, à medida que a criança interage, poder imitar exercícios, o que facilita a aprendizagem.

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