O leite materno de mulheres vacinadas com Astrazeneca, Pfizer e Moderna contém anticorpos contra a Covid-19

Antes de as vacinas estarem disponíveis, era possível detetar a presença de anticorpos no leite materno de mulheres que tiveram a doença. Agora foi possível confirmar essa transferência de proteção também através das vacinas.
covid 19
Agora, graças ao primeiro estudo realizado em Espanha e o primeiro a nível mundial que compara os efeitos de três vacinas contra a Covid-19 no leite materno, conduzido pela LactApp e CSIC, foi possível confirmar a transferência de anticorpos contra a Covid-19 para o leite materno.
Ao analisar amostras de leite de mulheres vacinadas com Astrazeneca, Pfizer e Moderna, foi encontrada em todos os casos uma resposta à vacinação com a presença de anticorpos no leite materno contra a SARS-CoV-2, muito mais intensa após a segunda dose.

Os níveis de anticorpos variam em função da vacina

O estudo analisou a presença de anticorpos contra a SARS-Cov-2 em 75 mulheres lactantes vacinadas com diferentes categorias de vacinas: 30 com vacinação completa pela Pfizer, 21 com um curso completo de Moderna e 24 com a primeira dose pela AstraZeneca.  O estudo mostrou a presença de anticorpos específicos (IgA e IgG) nas amostras, e os níveis de anticorpos variaram conforme a vacina recebida, o momento da medição, o regime completo, bem como a existência de uma infeção anterior.
Em todos os casos houve uma resposta à vacinação com um aumento de anticorpos contra a SARS-CoV-2, muito mais intensa após a segunda dose.  Algumas das mulheres vacinadas tiveram Covid-19, mas após a primeira dose de vacina, o seu leite tinha níveis de anticorpos equivalentes aos das mulheres saudáveis com as duas doses. Isto é consistente com os dados que sugerem que os indivíduos que passaram pela doença alcançam imunidade medida em sangue com uma única dose.
Por outro lado, observou-se que os níveis máximos de anticorpos no leite materno são atingidos entre 7 e 14 dias após a conclusão do calendário completo de vacinação, mantendo estes níveis posteriormente e coincidindo com os dados comunicados por fontes oficiais.

Imunidade passiva

A imunidade que o bebé recebe através do leite materno é passiva. Ou seja, não oferece a mesma proteção contra a Covid-19 que a de uma pessoa vacinada e não se espera que o bebé crie uma resposta imunitária global própria.
Mesmo assim, as imunoglobulinas presentes no leite ajudam o bebé a não ficar infetado no caso do vírus Covid-19 ser detetado no trato respiratório e intestinal, mas é necessária mais investigação para conhecer exatamente a capacidade imunológica que é transferida através do leite materno.
Laia Aguilar, coordenadora da equipa de investigação da LactApp, salientou que “é necessário continuar a investigação no domínio da amamentação para obter provas científicas que permitam às mulheres tomar decisões informadas sobre a sua saúde”.
“A amamentação é uma prioridade e ainda precisamos de mais estudos destinados a confirmar o potencial papel protetor destes anticorpos presentes no leite materno contra a Covid-19 em crianças”, disse María Carmen Collado, investigadora da IATA-CSIC.

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